segunda-feira, 31 de maio de 2010

Reflexão para Maio :ORAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - Lélio Costa e Silva

Bendigamos a vida, bem-te-ví, bem-te-vejo,
Para que bem nos vejamos.
Que tenhamos olhos de bichos e árvores como promessas de luz.
Para que todos os seres espelhem o ideal da fraternidade.
Que sejamos peixes na tranquilidade do profundo azul...
E que nos berçários de vida ouçamos o choro de um rio como um acalanto.
Também bendigamos a manhã, arara-aurora, o pássaro da luz.
Para que seja estabelecido um novo acordo do humano e o ambiente onde
vigorem a cordialidade e a compreensão do Todo.
Bendigamos a noite como os vaga-lumes, as corujas e os morcegos...
Para que façamos brilhar nossa luz interna.
Que se elabore uma nova ética, onde exista o respeito ao direito de
ser e de viver de cada uma das partes.
Para que a educação reconcilie o ser humano com o universo.
Como o exemplo de cooperação da árvore e da orquídea. Uma promove o
amparo, a outra o encantamento.
Que aprendamos a adivinhar o tempo do descansar e de se retirar...
Como as formigas moribundas diante da passagem.
E estejamos ao mesmo tempo com o olhar voltado para o centro e o Cosmo.
E que, após o sono de transição, nossa esperança renasça sob a benção
silenciosa dos vegetais para que o canto de um pássaro distante e
invisível nos diga:
Sem-Fim,
Sem-Fim,
Sem-Fim.
E que na Terra, como o inseto, de joelhos, louvemos-a-Deus, recolhendo
as amostras enviadas do paraíso celeste: a natureza, a música e as mães.
Sem que a humildade mesmo o saiba.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Reflexão para Abril: APRENDENDO A VIVER - Lélio Costa e Silva

A Educação Ambiental tem sido identificada como o elemento essencial para o desafio da sustentabilidade. Mas, de que forma esse objetivo pode ser alcançado?
Porque mesmo diante de tanta informação as mudanças de postura têm exigido tanto tempo e paciência?
Como intervir nessa cisão entre o conhecimento e a sensibilidade para que aconteça a ação consciente?
Talvez exista somente uma maneira: “aproximar” o conhecimento do coração juntando razão e sensibilidade. Só assim, um dia a mão que atira o lixo pela janela do carro recuará. Ou guardará o papel do bombom no bolso, numa festa de aniversário onde o anfitrião se esqueceu de colocar uma pequena lixeira discreta num canto. Uma demonstração de que o gesto conseguiu ser interceptado pelo coração. E aquele ser humano nunca mais será mais a mesma pessoa.
Assim, cada indivíduo tem o seu momento de despertar desse sonambulismo. Mas, como e quando isso pode acontecer? Em que momento O ato ou resultado de aprender a verdadeira natureza das coisas nos faz enxergar intuitivamente?
Valho-me de um exemplo próprio...
Nos anos setenta e oitenta o discurso ambiental se amparava basicamente nos aspectos de conservação da natureza. Nessa época a educação ambiental engatinhava caracterizando-se por apelos dramáticos visando a preservação de espécies consideradas “bandeira”: mico-leão-dourado, urso panda, ararinha azul e outros. Mas a minha melhor lição foi a de conhecer uma criança do meio rural em 1985 durante um curso de educação ambiental, quando ela me perguntou de forma pausada e certeira: “Para o senhor o que é meio ambiente?” “O que o senhor pensa da natureza?” Ora! Tínhamos passado dois dias falando de bichos e plantas exaustivamente e aquele menino não se dava por satisfeito - pensei. Depois, as professoras que dividiam as responsabilidades comigo no mesmo curso, o qual exigia alguns requisitos para a participação, me informaram: “Lélio, você reparou que as mãos desse menino estão calejadas? Para participar desse curso ele capinou o lote do vizinho para vir de calça comprida como pedimos. Com o dinheiro ele comprou a calça e ainda vendeu seu galo de estimação para poder comprar os sapatos.”
Daquele dia em diante percebi que Educação Ambiental era muito mais do que a discussão apenas de aspectos ecológicos. E assim elementos sociológicos, pedagógicos, econômicos, históricos, jurídicos, políticos e filosóficos ampliariam meu conceito de Educação Ambiental na sequência dos anos.
A partir da lição ensinada por aquele menino, aprendi a sonhar e projetar possíveis transformações no ambiente em que vivo. E a exercitar a virtude da humildade.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reflexão para Março de 2010:AMAR A NATUREZA VEM DO BERÇO - Lélio Costa e Silva

“É o velho galo que possui o conhecimento”. Provérbio grego

“Esta onça está muito velha! Por que vocês não arrumam outra nova?”
Como responsável técnico por um zoo fui interpelado por uma adolescente impaciente em seu sonambulismo juvenil. Preferi o silêncio – minha crença é pela compaixão humana onde a maturidade é um presente.
Não satisfeita, sorriu com desdém e completou: “bicho velho é muito feio”.
Olhando para a velha onça-parda, pensei baixinho: “espero que não tenha escutado...”
Qual seria o conceito de beleza para aquela jovem?
Por que o ser humano anseia uma vida longa, mas ao mesmo tempo, sonha em não envelhecer?
Olhando aquela menina, reflexo da descartabilidade, vi em seu sarcasmo, a representação de ser humano tão cedo desalojado de um mundo outrora encantado. Desanimado pensei: Com a visão embaçada pela mística da eterna juventude, tão apregoada pelos meios de comunicação, essa jovem se esquece que um dia “chegará lá”, ou seja, na velhice, última fase do ciclo de vida do ser humano.
Mas, rapidamente reuni em minha memória os fragmentos para a comunhão com o Todo. Recuperei o equilíbrio pensando nos animais. Por que tenho o privilégio de aprender com eles a cada dia. Assim pensei: afinal tudo na natureza exerce o seu papel. E os animais não estão no ambiente como figuras decorativas de uma paisagem. Ao contrário, também atuam...
Refletindo sobre a longevidade dos animais do zoológico comecei a estimar qual seria a idade de cada um e as lições que tenho recebido ao longo dos anos. Momentos únicos exemplificados por aqueles seres vivos. Não raro, sua sabedoria instintiva sempre foi surpreendente...
Como a história de uma macaca mais idosa de um bando que sabia como ninguém saborear um ovo de codorna, quebrando-o delicadamente com a habilidade superior a muitos primatas, sem perder uma gota do conteúdo.
Dois machos de ema - os mais experientes do bando, que normalmente disputavam a primazia de como o macho vencedor acasalar com todas as fêmeas para depois orgulhosamente se ocupar em fazer o ninho e chocar os ovos, resolveram quebrar esse ritual e entraram em acordo, alternando-se no choco. Sentados juntos tiveram a maior prole que se tem notícia na história do zoo. Zelosos, dividiram a tarefa de cuidar dos treze filhotes em parceria. Viraram manchete nos jornais locais.
A história vitoriosa dos jacarés de papo-amarelo que finalmente puderam procriar, depois de vinte anos de espera, após ganhar um espaço adequado com muita água e vegetação. Antes, instalados em recinto minúsculo, prudentemente a fêmea recusava qualquer aproximação. Hoje sabemos que os jacarés quantos mais idosos mais férteis se tornam...
Mas, agora mesmo, soube de um estudo alemão que revelou que as formigas doentes preferem morrer na solidão. Fazem isso para preservar as demais companheiras de trabalho de qualquer contágio já que são insetos sociais. O altruísmo em prol do grupo. E a lembrança das lições da biodiversidade aflorava-me.
Porém, mais adiante, fui despertado das divagações ao escutar um diálogo alegre de um senhor com sua criança que demonstrava seu deslumbramento com o canto das araras canindés. Naquele momento recuperei meu otimismo em vislumbrar um planeta mais saudável para as próximas gerações.
Lembrei-me de um colega de trabalho, meu “braço direito”, que atualmente encontra-se afastado por motivos de saúde...
Em sua sabedoria humilde de homem do campo, uma vez disse-me uma frase que nunca esqueci: “Amigo, amar a natureza vem do berço”.

* Médico-veterinário, educador ambiental, especialista em ecologia e conservação ambiental.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Reflexão para Fevereiro de 2010:NÃO SUJE A NATUREZA PELA JANELA - Lélio Costa e Silva

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, no art. 171: “Usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos”; e art. 172: “Atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias”. Para ambos: Infração – média (4 pontos na carteira); Penalidade – multa (R$ 85,13).
Alguém já percebeu como tem aumentado o lixo nas estradas brasileiras? Nas atuais interrupções de trânsito para obras, as estradas tornaram-se fonte de renda para muita gente, mas a questão ambiental foi literalmente para o espaço. O social destituído do saneamento. Enquanto esperam, as pessoas vão consumindo os produtos de um verdadeiro supermercado ambulante. Tem de tudo: milho assado, sorvetes, picolé, pilões de madeira, salgados, água mineral, refrigerante e até CD pirata. Tudo é comprado por pessoas que teoricamente tiveram acesso a algum tipo de educação e bom poder aquisitivo, mas que não relutam em jogar as embalagens (pior quando são pontas de cigarros) desses produtos pela janela. Para elas, um último recurso – a lei: atirar objetos do carro é falta média, segundo o Código de Trânsito. Além de quatro pontos na carteira de habilitação a multa custa R$ 85. Já o prejuízo ao meio ambiente é incalculável. O acúmulo de lixo aumenta o risco de acidentes, obstrui a drenagem das rodovias e coloca os animais em risco, pois são atraídos pelos restos de comida. Até parece que as pessoas só viajam em uma direção, sem pensar no retorno.
Enquanto isso, a fauna se transforma:


URUBU-CHIPS
PAINEIRA QUEIMADA
JACARÉ-DO-PAPO-FURADO
JENIPAPO-VÔMITO
CAPIVARA-LATA
SUCUPIRA-SEPULTADA
CUTIA-ATROPELADA
SAMAMBAIA-EM-PÓ
SERIEMA-DA-PERNA-QUEBRADA
VINHÁTICO-AZEDO
SAPO-DE-ASFALTO
CANELA-RACHADA
ROLINHA-FOGO-NÃO-APAGOU
IPÊ-CINZA
PERERECA-DE-PLÁSTICO
JURUBÊBADA
COBRA-TOCO-DE-CIGARR0
BROMÉLIA-SECA
MACACO-PREGO
PAU-D’ÓLEO-DIESEL
PAPAGAIO-BUZINA
BRAÚNA-PARA-CHOQUES
CORUJA-DE-FAROL
PAL - MITO
GAVIÃO-CHICLETES
INGÁ - ZOLINA
PICA-PAU-DA-CABEÇA-DECEPADA
E O PAU-BRASIL-SUMIU.
EIS A FAUNA E A FLORA DA ESTRADA...
EM VIAGEM, NÃO SUJE A NATUREZA PELA JANELA.

Para saber: Vale lembrar também a já surrada, mas nunca observada em sua relevância, tabela de decomposição dos produtos no ambiente:

TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO DE RESÍDUOS
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Ponta de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos

Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneus: 600 anos
Vidro: 4.000 anos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FELIZ 2010

O GRUPO ÁRVORE DA VIDA DESEJA A TODOS OS AMIGOS

Reflexão para Janeiro de 2010:COPENHAGUE... AS MESMAS PULGAS, CARRAPATOS E PIOLHOS.: Lélio Costa e Silva

Esta história foi escrita em 1995, três anos após a realização da Rio-92, uma conferência sobre o meio ambiente, da qual nasceram tratados, documentos e compromissos importantes como a Agenda 21. Infelizmente, o recente exemplo de Copenhague demonstra que a situação não mudou...

ATITUDES ECOLÓGICAS
Lélio Costa e Silva

Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele “planeta” os carrapatos preferiam o interior das orelhas, dedos, cernelha e axilas. As pulgas viviam no dorso, lombo e abdômen do cãozinho. Os piolhos no restante.
O cãozinho era uma coceira só. Sugavam-lhe o sangue injetando uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados,
Um dia alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade – um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia para que todos os moradores se encontrassem. Na semana seguinte, teve início a Primeira Conferência Planetária do Meio Ambiente. O local escolhido foi o dorso do animal. Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos.
Logo uma pulga fez uso da palavra:
- Senhoras e senhores: tenho observado uma drástica diminuição dos recursos naturais. O planeta está morrendo. Ele está anêmico!
- As culpadas são vocês mesmas, suas pulgas apressadas... atacou uma fêmea de carrapato inchada de sangue.
- Que nada, nós até sabemos reciclar, disse uma das pulgas.
- Não entendi, disse um piolho.
- Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com os nossos próprios dejetos... isto é ou não reciclagem?
- Acho que tudo é uma questão política, completou outro carrapato.
E a reunião prosseguia acalorada. De repente, o “planeta” começou a balançar...
- Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? O fim do mundo?!
Na verdade era o cãozinho que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá...
Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar:
- Calma gente, o mundo ainda não está acabando, mas se vocês não tomarem certas “atitudes ecológicas” isso irá acontecer...
- “Atitudes ecológicas”, como assim? Perguntaram todos ao mesmo tempo.
- Façam silêncio que logo lhes explico, pediu a árvore solitária.
Todos ficaram quietos para escutar.
-Antigamente essa praça era uma linda floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Aqui viviam jequitibás, braúnas, sapucaias, cedros, ipês, jacarandás, vinháticos e muitas outras árvores. Produzíamos flores, frutos, abrigo, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos e os restos dos animais apodreciam rapidamente com a ação do calor e da umidade freqüente. Assim, todos os nutrientes eram devolvidos à terra, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas. Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal.
E continuou:
- As copas das árvores amenizavam a queda da água da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Portanto, o solo não secava, nem rachava. Não havia erosão. De vez em quando, cortavam algumas árvores. Nem precisavam plantar de novo. Nós mesmas fazíamos o replantio, com a ajuda dos morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Todos tomavam a “atitude ecológica” de participar, espalhando as sementes, enterrando-as ou polinizando as flores. Assim a floresta se sustentava.
- Mas um dia começaram a desmatar além da conta... Logo fiquei sozinha. Hoje virei mictório de cães e de gente, Sofro muito com o xixi que fazem em mim. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe.
- Mas afinal, que atitudes ecológicas poderíamos tomar? Perguntou um piolho, muito aflito.
É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao “ planeta” o tempo de se recuperar, respondeu o jequitibá.
- Vamos ter que sobreviver economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação – afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês...
E assim a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitas”. Os delegados foram eleitos. Todos se comprometeram a assumir atitudes ecológicas em favor do “planeta”.
Ao final dos debates, já havia 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos.
No dia seguinte, o cão morreu.




Para refletir:
• O cão no texto representa o Planeta Terra e as pulgas, piolhos e carrapatos os seus habitantes.
• O sangue ralo e de baixa qualidade demonstra a exaustão dos elementos naturais do Planeta e um modo predatório de desenvolvimento.
• A população dos ectoparasitos só aumentou com o decorrer do tempo.
• Efeito estufa? Terremotos? Aumento da temperatura global? Essas indagações demonstram que os ectoparasitos tinham uma visão global da situação.
• A descrição da árvore corresponde ao procurado “desenvolvimento sustentável”.
• “As folhas mortas e os restos dos animais apodreciam”... No texto representam o lixo que pode ser totalmente reciclado.
• Os morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e o vento representam os trabalhadores do Planeta.
• “Mas um dia começaram a desmatar além da conta...” Esta descrição representa a voracidade, a falta de limites, o utilitarismo exacerbado na busca imediata do lucro, desconsiderando-se o futuro do Planeta.
• “É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao planeta de se recuperar, respondeu o jequitibá” . Esta é uma ação coerente com o desenvolvimento sustentável.
• E a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitos”. Os delegados foram eleitos... Você já viu essa cena antes?
• Ao final dos debates, já haviam 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos. No dia seguinte, o cão morreu. Isto demonstra que as providências não saíram do discurso.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E UM 2010 CHEIO DE LUZ E PAZ

A todos os amigos e seguidores que o Natal seja um dia de Luz , Paz e Reflexão

By: Marli Ribeiro