“É o velho galo que possui o conhecimento”. Provérbio grego
“Esta onça está muito velha! Por que vocês não arrumam outra nova?”
Como responsável técnico por um zoo fui interpelado por uma adolescente impaciente em seu sonambulismo juvenil. Preferi o silêncio – minha crença é pela compaixão humana onde a maturidade é um presente.
Não satisfeita, sorriu com desdém e completou: “bicho velho é muito feio”.
Olhando para a velha onça-parda, pensei baixinho: “espero que não tenha escutado...”
Qual seria o conceito de beleza para aquela jovem?
Por que o ser humano anseia uma vida longa, mas ao mesmo tempo, sonha em não envelhecer?
Olhando aquela menina, reflexo da descartabilidade, vi em seu sarcasmo, a representação de ser humano tão cedo desalojado de um mundo outrora encantado. Desanimado pensei: Com a visão embaçada pela mística da eterna juventude, tão apregoada pelos meios de comunicação, essa jovem se esquece que um dia “chegará lá”, ou seja, na velhice, última fase do ciclo de vida do ser humano.
Mas, rapidamente reuni em minha memória os fragmentos para a comunhão com o Todo. Recuperei o equilíbrio pensando nos animais. Por que tenho o privilégio de aprender com eles a cada dia. Assim pensei: afinal tudo na natureza exerce o seu papel. E os animais não estão no ambiente como figuras decorativas de uma paisagem. Ao contrário, também atuam...
Refletindo sobre a longevidade dos animais do zoológico comecei a estimar qual seria a idade de cada um e as lições que tenho recebido ao longo dos anos. Momentos únicos exemplificados por aqueles seres vivos. Não raro, sua sabedoria instintiva sempre foi surpreendente...
Como a história de uma macaca mais idosa de um bando que sabia como ninguém saborear um ovo de codorna, quebrando-o delicadamente com a habilidade superior a muitos primatas, sem perder uma gota do conteúdo.
Dois machos de ema - os mais experientes do bando, que normalmente disputavam a primazia de como o macho vencedor acasalar com todas as fêmeas para depois orgulhosamente se ocupar em fazer o ninho e chocar os ovos, resolveram quebrar esse ritual e entraram em acordo, alternando-se no choco. Sentados juntos tiveram a maior prole que se tem notícia na história do zoo. Zelosos, dividiram a tarefa de cuidar dos treze filhotes em parceria. Viraram manchete nos jornais locais.
A história vitoriosa dos jacarés de papo-amarelo que finalmente puderam procriar, depois de vinte anos de espera, após ganhar um espaço adequado com muita água e vegetação. Antes, instalados em recinto minúsculo, prudentemente a fêmea recusava qualquer aproximação. Hoje sabemos que os jacarés quantos mais idosos mais férteis se tornam...
Mas, agora mesmo, soube de um estudo alemão que revelou que as formigas doentes preferem morrer na solidão. Fazem isso para preservar as demais companheiras de trabalho de qualquer contágio já que são insetos sociais. O altruísmo em prol do grupo. E a lembrança das lições da biodiversidade aflorava-me.
Porém, mais adiante, fui despertado das divagações ao escutar um diálogo alegre de um senhor com sua criança que demonstrava seu deslumbramento com o canto das araras canindés. Naquele momento recuperei meu otimismo em vislumbrar um planeta mais saudável para as próximas gerações.
Lembrei-me de um colega de trabalho, meu “braço direito”, que atualmente encontra-se afastado por motivos de saúde...
Em sua sabedoria humilde de homem do campo, uma vez disse-me uma frase que nunca esqueci: “Amigo, amar a natureza vem do berço”.
* Médico-veterinário, educador ambiental, especialista em ecologia e conservação ambiental.
quarta-feira, 24 de março de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Reflexão para Fevereiro de 2010:NÃO SUJE A NATUREZA PELA JANELA - Lélio Costa e Silva
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, no art. 171: “Usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos”; e art. 172: “Atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias”. Para ambos: Infração – média (4 pontos na carteira); Penalidade – multa (R$ 85,13).
Alguém já percebeu como tem aumentado o lixo nas estradas brasileiras? Nas atuais interrupções de trânsito para obras, as estradas tornaram-se fonte de renda para muita gente, mas a questão ambiental foi literalmente para o espaço. O social destituído do saneamento. Enquanto esperam, as pessoas vão consumindo os produtos de um verdadeiro supermercado ambulante. Tem de tudo: milho assado, sorvetes, picolé, pilões de madeira, salgados, água mineral, refrigerante e até CD pirata. Tudo é comprado por pessoas que teoricamente tiveram acesso a algum tipo de educação e bom poder aquisitivo, mas que não relutam em jogar as embalagens (pior quando são pontas de cigarros) desses produtos pela janela. Para elas, um último recurso – a lei: atirar objetos do carro é falta média, segundo o Código de Trânsito. Além de quatro pontos na carteira de habilitação a multa custa R$ 85. Já o prejuízo ao meio ambiente é incalculável. O acúmulo de lixo aumenta o risco de acidentes, obstrui a drenagem das rodovias e coloca os animais em risco, pois são atraídos pelos restos de comida. Até parece que as pessoas só viajam em uma direção, sem pensar no retorno.
Enquanto isso, a fauna se transforma:
URUBU-CHIPS
PAINEIRA QUEIMADA
JACARÉ-DO-PAPO-FURADO
JENIPAPO-VÔMITO
CAPIVARA-LATA
SUCUPIRA-SEPULTADA
CUTIA-ATROPELADA
SAMAMBAIA-EM-PÓ
SERIEMA-DA-PERNA-QUEBRADA
VINHÁTICO-AZEDO
SAPO-DE-ASFALTO
CANELA-RACHADA
ROLINHA-FOGO-NÃO-APAGOU
IPÊ-CINZA
PERERECA-DE-PLÁSTICO
JURUBÊBADA
COBRA-TOCO-DE-CIGARR0
BROMÉLIA-SECA
MACACO-PREGO
PAU-D’ÓLEO-DIESEL
PAPAGAIO-BUZINA
BRAÚNA-PARA-CHOQUES
CORUJA-DE-FAROL
PAL - MITO
GAVIÃO-CHICLETES
INGÁ - ZOLINA
PICA-PAU-DA-CABEÇA-DECEPADA
E O PAU-BRASIL-SUMIU.
EIS A FAUNA E A FLORA DA ESTRADA...
EM VIAGEM, NÃO SUJE A NATUREZA PELA JANELA.
Para saber: Vale lembrar também a já surrada, mas nunca observada em sua relevância, tabela de decomposição dos produtos no ambiente:
TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO DE RESÍDUOS
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Ponta de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos
Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneus: 600 anos
Vidro: 4.000 anos
Alguém já percebeu como tem aumentado o lixo nas estradas brasileiras? Nas atuais interrupções de trânsito para obras, as estradas tornaram-se fonte de renda para muita gente, mas a questão ambiental foi literalmente para o espaço. O social destituído do saneamento. Enquanto esperam, as pessoas vão consumindo os produtos de um verdadeiro supermercado ambulante. Tem de tudo: milho assado, sorvetes, picolé, pilões de madeira, salgados, água mineral, refrigerante e até CD pirata. Tudo é comprado por pessoas que teoricamente tiveram acesso a algum tipo de educação e bom poder aquisitivo, mas que não relutam em jogar as embalagens (pior quando são pontas de cigarros) desses produtos pela janela. Para elas, um último recurso – a lei: atirar objetos do carro é falta média, segundo o Código de Trânsito. Além de quatro pontos na carteira de habilitação a multa custa R$ 85. Já o prejuízo ao meio ambiente é incalculável. O acúmulo de lixo aumenta o risco de acidentes, obstrui a drenagem das rodovias e coloca os animais em risco, pois são atraídos pelos restos de comida. Até parece que as pessoas só viajam em uma direção, sem pensar no retorno.
Enquanto isso, a fauna se transforma:
URUBU-CHIPS
PAINEIRA QUEIMADA
JACARÉ-DO-PAPO-FURADO
JENIPAPO-VÔMITO
CAPIVARA-LATA
SUCUPIRA-SEPULTADA
CUTIA-ATROPELADA
SAMAMBAIA-EM-PÓ
SERIEMA-DA-PERNA-QUEBRADA
VINHÁTICO-AZEDO
SAPO-DE-ASFALTO
CANELA-RACHADA
ROLINHA-FOGO-NÃO-APAGOU
IPÊ-CINZA
PERERECA-DE-PLÁSTICO
JURUBÊBADA
COBRA-TOCO-DE-CIGARR0
BROMÉLIA-SECA
MACACO-PREGO
PAU-D’ÓLEO-DIESEL
PAPAGAIO-BUZINA
BRAÚNA-PARA-CHOQUES
CORUJA-DE-FAROL
PAL - MITO
GAVIÃO-CHICLETES
INGÁ - ZOLINA
PICA-PAU-DA-CABEÇA-DECEPADA
E O PAU-BRASIL-SUMIU.
EIS A FAUNA E A FLORA DA ESTRADA...
EM VIAGEM, NÃO SUJE A NATUREZA PELA JANELA.
Para saber: Vale lembrar também a já surrada, mas nunca observada em sua relevância, tabela de decomposição dos produtos no ambiente:
TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO DE RESÍDUOS
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Ponta de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos
Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneus: 600 anos
Vidro: 4.000 anos
Marcadores:
educação ambiental e sanitária,
reflexão
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Reflexão para Janeiro de 2010:COPENHAGUE... AS MESMAS PULGAS, CARRAPATOS E PIOLHOS.: Lélio Costa e Silva
Esta história foi escrita em 1995, três anos após a realização da Rio-92, uma conferência sobre o meio ambiente, da qual nasceram tratados, documentos e compromissos importantes como a Agenda 21. Infelizmente, o recente exemplo de Copenhague demonstra que a situação não mudou...
ATITUDES ECOLÓGICAS
Lélio Costa e Silva
Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele “planeta” os carrapatos preferiam o interior das orelhas, dedos, cernelha e axilas. As pulgas viviam no dorso, lombo e abdômen do cãozinho. Os piolhos no restante.
O cãozinho era uma coceira só. Sugavam-lhe o sangue injetando uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados,
Um dia alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade – um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia para que todos os moradores se encontrassem. Na semana seguinte, teve início a Primeira Conferência Planetária do Meio Ambiente. O local escolhido foi o dorso do animal. Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos.
Logo uma pulga fez uso da palavra:
- Senhoras e senhores: tenho observado uma drástica diminuição dos recursos naturais. O planeta está morrendo. Ele está anêmico!
- As culpadas são vocês mesmas, suas pulgas apressadas... atacou uma fêmea de carrapato inchada de sangue.
- Que nada, nós até sabemos reciclar, disse uma das pulgas.
- Não entendi, disse um piolho.
- Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com os nossos próprios dejetos... isto é ou não reciclagem?
- Acho que tudo é uma questão política, completou outro carrapato.
E a reunião prosseguia acalorada. De repente, o “planeta” começou a balançar...
- Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? O fim do mundo?!
Na verdade era o cãozinho que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá...
Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar:
- Calma gente, o mundo ainda não está acabando, mas se vocês não tomarem certas “atitudes ecológicas” isso irá acontecer...
- “Atitudes ecológicas”, como assim? Perguntaram todos ao mesmo tempo.
- Façam silêncio que logo lhes explico, pediu a árvore solitária.
Todos ficaram quietos para escutar.
-Antigamente essa praça era uma linda floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Aqui viviam jequitibás, braúnas, sapucaias, cedros, ipês, jacarandás, vinháticos e muitas outras árvores. Produzíamos flores, frutos, abrigo, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos e os restos dos animais apodreciam rapidamente com a ação do calor e da umidade freqüente. Assim, todos os nutrientes eram devolvidos à terra, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas. Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal.
E continuou:
- As copas das árvores amenizavam a queda da água da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Portanto, o solo não secava, nem rachava. Não havia erosão. De vez em quando, cortavam algumas árvores. Nem precisavam plantar de novo. Nós mesmas fazíamos o replantio, com a ajuda dos morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Todos tomavam a “atitude ecológica” de participar, espalhando as sementes, enterrando-as ou polinizando as flores. Assim a floresta se sustentava.
- Mas um dia começaram a desmatar além da conta... Logo fiquei sozinha. Hoje virei mictório de cães e de gente, Sofro muito com o xixi que fazem em mim. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe.
- Mas afinal, que atitudes ecológicas poderíamos tomar? Perguntou um piolho, muito aflito.
É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao “ planeta” o tempo de se recuperar, respondeu o jequitibá.
- Vamos ter que sobreviver economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação – afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês...
E assim a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitas”. Os delegados foram eleitos. Todos se comprometeram a assumir atitudes ecológicas em favor do “planeta”.
Ao final dos debates, já havia 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos.
No dia seguinte, o cão morreu.
Para refletir:
• O cão no texto representa o Planeta Terra e as pulgas, piolhos e carrapatos os seus habitantes.
• O sangue ralo e de baixa qualidade demonstra a exaustão dos elementos naturais do Planeta e um modo predatório de desenvolvimento.
• A população dos ectoparasitos só aumentou com o decorrer do tempo.
• Efeito estufa? Terremotos? Aumento da temperatura global? Essas indagações demonstram que os ectoparasitos tinham uma visão global da situação.
• A descrição da árvore corresponde ao procurado “desenvolvimento sustentável”.
• “As folhas mortas e os restos dos animais apodreciam”... No texto representam o lixo que pode ser totalmente reciclado.
• Os morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e o vento representam os trabalhadores do Planeta.
• “Mas um dia começaram a desmatar além da conta...” Esta descrição representa a voracidade, a falta de limites, o utilitarismo exacerbado na busca imediata do lucro, desconsiderando-se o futuro do Planeta.
• “É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao planeta de se recuperar, respondeu o jequitibá” . Esta é uma ação coerente com o desenvolvimento sustentável.
• E a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitos”. Os delegados foram eleitos... Você já viu essa cena antes?
• Ao final dos debates, já haviam 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos. No dia seguinte, o cão morreu. Isto demonstra que as providências não saíram do discurso.
ATITUDES ECOLÓGICAS
Lélio Costa e Silva
Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele “planeta” os carrapatos preferiam o interior das orelhas, dedos, cernelha e axilas. As pulgas viviam no dorso, lombo e abdômen do cãozinho. Os piolhos no restante.
O cãozinho era uma coceira só. Sugavam-lhe o sangue injetando uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados,
Um dia alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade – um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia para que todos os moradores se encontrassem. Na semana seguinte, teve início a Primeira Conferência Planetária do Meio Ambiente. O local escolhido foi o dorso do animal. Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos.
Logo uma pulga fez uso da palavra:
- Senhoras e senhores: tenho observado uma drástica diminuição dos recursos naturais. O planeta está morrendo. Ele está anêmico!
- As culpadas são vocês mesmas, suas pulgas apressadas... atacou uma fêmea de carrapato inchada de sangue.
- Que nada, nós até sabemos reciclar, disse uma das pulgas.
- Não entendi, disse um piolho.
- Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com os nossos próprios dejetos... isto é ou não reciclagem?
- Acho que tudo é uma questão política, completou outro carrapato.
E a reunião prosseguia acalorada. De repente, o “planeta” começou a balançar...
- Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? O fim do mundo?!
Na verdade era o cãozinho que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá...
Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar:
- Calma gente, o mundo ainda não está acabando, mas se vocês não tomarem certas “atitudes ecológicas” isso irá acontecer...
- “Atitudes ecológicas”, como assim? Perguntaram todos ao mesmo tempo.
- Façam silêncio que logo lhes explico, pediu a árvore solitária.
Todos ficaram quietos para escutar.
-Antigamente essa praça era uma linda floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Aqui viviam jequitibás, braúnas, sapucaias, cedros, ipês, jacarandás, vinháticos e muitas outras árvores. Produzíamos flores, frutos, abrigo, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos e os restos dos animais apodreciam rapidamente com a ação do calor e da umidade freqüente. Assim, todos os nutrientes eram devolvidos à terra, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas. Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal.
E continuou:
- As copas das árvores amenizavam a queda da água da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Portanto, o solo não secava, nem rachava. Não havia erosão. De vez em quando, cortavam algumas árvores. Nem precisavam plantar de novo. Nós mesmas fazíamos o replantio, com a ajuda dos morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Todos tomavam a “atitude ecológica” de participar, espalhando as sementes, enterrando-as ou polinizando as flores. Assim a floresta se sustentava.
- Mas um dia começaram a desmatar além da conta... Logo fiquei sozinha. Hoje virei mictório de cães e de gente, Sofro muito com o xixi que fazem em mim. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe.
- Mas afinal, que atitudes ecológicas poderíamos tomar? Perguntou um piolho, muito aflito.
É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao “ planeta” o tempo de se recuperar, respondeu o jequitibá.
- Vamos ter que sobreviver economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação – afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês...
E assim a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitas”. Os delegados foram eleitos. Todos se comprometeram a assumir atitudes ecológicas em favor do “planeta”.
Ao final dos debates, já havia 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos.
No dia seguinte, o cão morreu.
Para refletir:
• O cão no texto representa o Planeta Terra e as pulgas, piolhos e carrapatos os seus habitantes.
• O sangue ralo e de baixa qualidade demonstra a exaustão dos elementos naturais do Planeta e um modo predatório de desenvolvimento.
• A população dos ectoparasitos só aumentou com o decorrer do tempo.
• Efeito estufa? Terremotos? Aumento da temperatura global? Essas indagações demonstram que os ectoparasitos tinham uma visão global da situação.
• A descrição da árvore corresponde ao procurado “desenvolvimento sustentável”.
• “As folhas mortas e os restos dos animais apodreciam”... No texto representam o lixo que pode ser totalmente reciclado.
• Os morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e o vento representam os trabalhadores do Planeta.
• “Mas um dia começaram a desmatar além da conta...” Esta descrição representa a voracidade, a falta de limites, o utilitarismo exacerbado na busca imediata do lucro, desconsiderando-se o futuro do Planeta.
• “É cada um procurar meios de sugar sem exageros o alimento e dar ao planeta de se recuperar, respondeu o jequitibá” . Esta é uma ação coerente com o desenvolvimento sustentável.
• E a reunião esquentou. Foram criados manifestos e leis ambientais. Foi publicada a “Carta dos Ectoparasitos”. Os delegados foram eleitos... Você já viu essa cena antes?
• Ao final dos debates, já haviam 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos. No dia seguinte, o cão morreu. Isto demonstra que as providências não saíram do discurso.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Reflexão para Dezembro: GIGANTES PELA PRÓPRIA NATUREZA :Lélio Costa e Silva
Esta fábula não tem tempo certo de acontecer. Nela também os bichos, as plantas e os humanos conversam...
Então os seres humanos resolveram promover um concurso no mundo para descobrir quem seriam os maiores seres vivos do Planeta. Anúncios foram colocados em todas as regiões da Terra - desertos, oceanos, florestas e continentes gelados. Os que viviam na beira do mar logo afirmaram:
- É a baleia-azul! Seu peso passa das 150 toneladas e pode medir até 30 metros! E uma cria dela mama 380 litros de leite por dia!
- Ora, é a girafa, alguém gritou lá na África.
- Por um acaso alguém já viu um elefante? Exclamou outro. Só para se ter uma idéia um filhote já nasce com 100 quilos!
De uma floresta brasileira, alguém disse que seria uma árvore que se chamava jequitibá.
- É, mas no Brasil vi uma cobra sucuri, com mais de dez metros! Gritou outro.
- Ei!Ei! : vocês já viram uma anta? É o maior mamífero terrestre brasileiro!
E a polêmica se instalou. Reunidos para a escolha do maior “bicho", ou "planta" do mundo, aqueles humanos não se entendiam. Resolveram então nomear uma comissão para sair pelo mundo, com fitas métricas e trenas, para descobrir quem seria o maioral. O primeiro bicho encontrado foi a Baleia Azul. Como chegar perto de tão enorme animal? Difícil! Só se for de navio. Vamos lá, disse um mais audacioso.
- Olá Baleia Azul! Queremos saber se você é o maior ser vivo do mundo, indagaram entusiasmados.
- Se sou a maior é porque tem um motivo...Vocês sabiam que existem outros seres que somados são maiores que eu ? Como sou uma baleia filtradora, me alimento dos "gigantes pela própria natureza”...
- Gigantes o que? Perguntaram todos.
- Ora, numa gota de água, criaturas fantásticas vivem, reproduzem-se e morrem num mundo em que não há separação entre plantas e animais. Embora estas multidões microscópicas pareçam para muitas pessoas, insignificantes, são a base de toda a existência superior - sem elas a vida não seria possível. Experimentem examinar uma pequena porção de água do mar ao microscópio. Vocês verão trilhões de organismos vegetais e animais que nela flutuam e que a Ciência denomina "plâncton" - uma palavra que vem do grego planktos, que significa nadando. Infinitos seres “invisíveis” que asseguram o ciclo da vida. Só num verão - continuou a baleia, chego a comer em apenas um dia oito toneladas desses "gigantes". Eles em conjunto são muito maiores que eu... É tudo uma questão de entendimento de que no mundo, qualquer que seja o tamanho, cada um tem a sua função.
- E você Jequitibá, perguntaram já no Brasil, aqueles seres humanos curiosos.
- Dizem que sou uma árvore das mais altas da Mata Atlântica, mas cá de cima dos meus 50 metros vejo que não é bem assim.
- Como? Não estamos entendendo...
- Primeiro quero lhes dizer que não vivo sozinha: sou uma comunidade com milhares de amigos. Sei do valor e do significado de cada espécie que mora comigo, minha memória é sempre fecunda. Nunca me esqueço dos fungos, bactérias, aranhas, insetos ao infinito: borboletas, besouros, pernilongos, baratas, traças e também das lindas orquídeas pequeninas...
- E vocês já repararam como o ar vive cheio de micróbios?
- Micróbios?
- Sim, os menores seres do mundo são chamados de micróbios. Eles exigem um microscópio para poderem ser vistos. Quantas bactérias e vírus existem nesse mundo? Sabiam que bactérias, fungos, algas, liquens e vírus flutuam em correntes de ar numa estimativa que varia de dez a dez mil microorganismos por metro cúbico? São eles os "gigantes pela própria natureza"!
- Querem outro exemplo? Estão vendo aquelas formigas ali? Elas fazem parte dos insetos sociais, além das abelhas, cupins e outros. Chegam a formar colônias de até quinhentos mil indivíduos trabalhando unidos! Mas isso não é nada se lembrarmos que a maioria dos animais do planeta têm seis pernas, isto é, são os insetos . E nem todos descobertos e conhecidos de vocês. Para cada ser humano no mundo existem proporcionalmente cem milhões de insetos !
- Olhem agora para o chão onde pisam : Nele tem bicho pequeno, grosso, achatado, fino, liso... Lesmas, escorpiões, lacraias, carrapatos, minhocas... Cada um diferente do outro, muito escondidos, mas sempre juntos! Em uma colher de sopa de terra fofa, úmida e cheirosa da mata podem existir dez bilhões de bactérias!
- Assim, não sobrevivo muito tempo e nem vocês, sem a ajuda deles. Por sua causa cada folha seca no chão vira nova folha cá em cima nos meus galhos. Todos juntos em sua diversidade. Até as nuvens se juntam para trazer a chuva. E é essa a nossa grande riqueza - sempre estamos unidos. Por isso é preciso considerá-los também gigantes. Pela sua própria natureza.
- Só mais um lembrete , disse o jequitibá .
- Sim, concordaram prontamente aqueles humanos.
- "Olhem " também para dentro de vocês. Para o próprio corpo... Em uma boca de um ser humano pode existir um bilhão de bactérias por centímetro quadrado! Elas estão na pele, especialmente nas partes mais úmidas: axilas e entre os dedos. Também revestindo as fossas nasais, ouvidos e entre as bolsas das gengivas e dentes. A maioria vive, no entanto, no aparelho digestivo. Enfim 10% do peso (seco) do ser humano e dos outros mamíferos é composto por bactérias! Um continente de micróbios - gigantes pela própria natureza, dentro e em torno de vocês.
- Meu Deus, então estamos doentes!
- Nada disso, a maioria não produz doenças num corpo com saúde equilibrada. Não é correto lembrar-se das bactérias só por causa das doenças. Sabiam que existem bactérias que comem o lixo que produzimos como petróleo, plásticos, restos industriais, domésticos e até inseticidas?
- Nossa! Quantas lições! exclamaram todos, guardando as fitas métricas e outros instrumentos para medir.
- Esse é o nosso olhar sobre a natureza... completou o jequitibá.
E assim, ninguém disse mais nada. Todos descobriram que pensando apenas no "grande" e esquecendo os "pequenos" haviam se separado do verde, do ar, da água, da terra e deles mesmos. Tinham aprendido a ver o mundo com o microscópio e o coração.
Então os seres humanos resolveram promover um concurso no mundo para descobrir quem seriam os maiores seres vivos do Planeta. Anúncios foram colocados em todas as regiões da Terra - desertos, oceanos, florestas e continentes gelados. Os que viviam na beira do mar logo afirmaram:
- É a baleia-azul! Seu peso passa das 150 toneladas e pode medir até 30 metros! E uma cria dela mama 380 litros de leite por dia!
- Ora, é a girafa, alguém gritou lá na África.
- Por um acaso alguém já viu um elefante? Exclamou outro. Só para se ter uma idéia um filhote já nasce com 100 quilos!
De uma floresta brasileira, alguém disse que seria uma árvore que se chamava jequitibá.
- É, mas no Brasil vi uma cobra sucuri, com mais de dez metros! Gritou outro.
- Ei!Ei! : vocês já viram uma anta? É o maior mamífero terrestre brasileiro!
E a polêmica se instalou. Reunidos para a escolha do maior “bicho", ou "planta" do mundo, aqueles humanos não se entendiam. Resolveram então nomear uma comissão para sair pelo mundo, com fitas métricas e trenas, para descobrir quem seria o maioral. O primeiro bicho encontrado foi a Baleia Azul. Como chegar perto de tão enorme animal? Difícil! Só se for de navio. Vamos lá, disse um mais audacioso.
- Olá Baleia Azul! Queremos saber se você é o maior ser vivo do mundo, indagaram entusiasmados.
- Se sou a maior é porque tem um motivo...Vocês sabiam que existem outros seres que somados são maiores que eu ? Como sou uma baleia filtradora, me alimento dos "gigantes pela própria natureza”...
- Gigantes o que? Perguntaram todos.
- Ora, numa gota de água, criaturas fantásticas vivem, reproduzem-se e morrem num mundo em que não há separação entre plantas e animais. Embora estas multidões microscópicas pareçam para muitas pessoas, insignificantes, são a base de toda a existência superior - sem elas a vida não seria possível. Experimentem examinar uma pequena porção de água do mar ao microscópio. Vocês verão trilhões de organismos vegetais e animais que nela flutuam e que a Ciência denomina "plâncton" - uma palavra que vem do grego planktos, que significa nadando. Infinitos seres “invisíveis” que asseguram o ciclo da vida. Só num verão - continuou a baleia, chego a comer em apenas um dia oito toneladas desses "gigantes". Eles em conjunto são muito maiores que eu... É tudo uma questão de entendimento de que no mundo, qualquer que seja o tamanho, cada um tem a sua função.
- E você Jequitibá, perguntaram já no Brasil, aqueles seres humanos curiosos.
- Dizem que sou uma árvore das mais altas da Mata Atlântica, mas cá de cima dos meus 50 metros vejo que não é bem assim.
- Como? Não estamos entendendo...
- Primeiro quero lhes dizer que não vivo sozinha: sou uma comunidade com milhares de amigos. Sei do valor e do significado de cada espécie que mora comigo, minha memória é sempre fecunda. Nunca me esqueço dos fungos, bactérias, aranhas, insetos ao infinito: borboletas, besouros, pernilongos, baratas, traças e também das lindas orquídeas pequeninas...
- E vocês já repararam como o ar vive cheio de micróbios?
- Micróbios?
- Sim, os menores seres do mundo são chamados de micróbios. Eles exigem um microscópio para poderem ser vistos. Quantas bactérias e vírus existem nesse mundo? Sabiam que bactérias, fungos, algas, liquens e vírus flutuam em correntes de ar numa estimativa que varia de dez a dez mil microorganismos por metro cúbico? São eles os "gigantes pela própria natureza"!
- Querem outro exemplo? Estão vendo aquelas formigas ali? Elas fazem parte dos insetos sociais, além das abelhas, cupins e outros. Chegam a formar colônias de até quinhentos mil indivíduos trabalhando unidos! Mas isso não é nada se lembrarmos que a maioria dos animais do planeta têm seis pernas, isto é, são os insetos . E nem todos descobertos e conhecidos de vocês. Para cada ser humano no mundo existem proporcionalmente cem milhões de insetos !
- Olhem agora para o chão onde pisam : Nele tem bicho pequeno, grosso, achatado, fino, liso... Lesmas, escorpiões, lacraias, carrapatos, minhocas... Cada um diferente do outro, muito escondidos, mas sempre juntos! Em uma colher de sopa de terra fofa, úmida e cheirosa da mata podem existir dez bilhões de bactérias!
- Assim, não sobrevivo muito tempo e nem vocês, sem a ajuda deles. Por sua causa cada folha seca no chão vira nova folha cá em cima nos meus galhos. Todos juntos em sua diversidade. Até as nuvens se juntam para trazer a chuva. E é essa a nossa grande riqueza - sempre estamos unidos. Por isso é preciso considerá-los também gigantes. Pela sua própria natureza.
- Só mais um lembrete , disse o jequitibá .
- Sim, concordaram prontamente aqueles humanos.
- "Olhem " também para dentro de vocês. Para o próprio corpo... Em uma boca de um ser humano pode existir um bilhão de bactérias por centímetro quadrado! Elas estão na pele, especialmente nas partes mais úmidas: axilas e entre os dedos. Também revestindo as fossas nasais, ouvidos e entre as bolsas das gengivas e dentes. A maioria vive, no entanto, no aparelho digestivo. Enfim 10% do peso (seco) do ser humano e dos outros mamíferos é composto por bactérias! Um continente de micróbios - gigantes pela própria natureza, dentro e em torno de vocês.
- Meu Deus, então estamos doentes!
- Nada disso, a maioria não produz doenças num corpo com saúde equilibrada. Não é correto lembrar-se das bactérias só por causa das doenças. Sabiam que existem bactérias que comem o lixo que produzimos como petróleo, plásticos, restos industriais, domésticos e até inseticidas?
- Nossa! Quantas lições! exclamaram todos, guardando as fitas métricas e outros instrumentos para medir.
- Esse é o nosso olhar sobre a natureza... completou o jequitibá.
E assim, ninguém disse mais nada. Todos descobriram que pensando apenas no "grande" e esquecendo os "pequenos" haviam se separado do verde, do ar, da água, da terra e deles mesmos. Tinham aprendido a ver o mundo com o microscópio e o coração.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Reflexão para Novembro:A RELIGIOSIDADE DOS BICHOS E PLANTAS - Lélio Costa e Silva
Enquanto isso em um zoológico: “Moço esse bicho não merece viver. Ele tem parte com o ‘demo’, isso não é criação de Deus”... disse uma mulher ao ver as cobras jiboias tomando um banho de sol.
Vede os peixes que são Cristos em grego. Submergem nas águas poluídas e nada bentas, muito menos fluidificadas, crucificados pelos detritos da intemperança. Mesmo assim tentam ressurgir buscando a água da Vida.
A igreja dos convidados da manjedoura não tem paramentos, nem apelos de fugaz emoção. Basta o silêncio do jumento, da ovelha, da vaca, diante da Presença. Balidos, urros, coices e mordidas da intolerância ficam para o cotidiano das pastagens.
As bíblicas serpentes prudentes jejuam e meditam quietas a despeito da interpretação literal da maldição . Não conhecem a palavra obscurantismo, porque na cadeia alimentar a lei é de causa e efeito , sem espaço para a discriminação.
Observe uma borboleta - a experiência mística da lagarta dispensa incensos, fragrâncias e bálsamos. Do amor em metamorfose nasce a beleza.
O verde existe para ser “kath holikos” sem sectarismos, pois sua vocação é pela universalidade do Todo. Se hoje as figueiras permanecem secas é porque ainda sobrevive a infecundidade espiritual. Agride-se o ambiente pela ignorância daquilo que um dia foi sagrado.
E o sal da Terra nunca será vendido em pentescostais ofertas, pois quando sai do mar da fraternidade, deixa de ser alimento, torna-se insípido.
Hoje, queimaram mais três parques nacionais, bruxas heréticas do século vinte e um. A flora erótica teve que abdicar da sua sensualidade declarando não existir mais a fotossíntese.
Queres ouvir o Cântico dos Cânticos ? Abre a tua janela , teus ouvidos e o coração. Ele acontece toda manhã, quando a passarada anuncia o alvorecer.
Vede os pombos, os morcegos e os pardais. Todos habitam igualmente, sinagogas, igrejas, santuários, casas de oração, mesquitas sobrevoando dogmas e preconceitos.
Olhando somente as uvas? Visando oferecer o melhor vinho a todos? Os ramos da videira serão sempre de um mesmo tronco.
Ofertando o pão da boa nova?
Se todos nos consideramos trigos por que enxergamos somente o joio?
Um só pastor , um só rebanho, na diversidade da vida, a unicidade do Criador .
Um mesmo sol, uma mesma lua...
A natureza é ecumênica.
Vede os peixes que são Cristos em grego. Submergem nas águas poluídas e nada bentas, muito menos fluidificadas, crucificados pelos detritos da intemperança. Mesmo assim tentam ressurgir buscando a água da Vida.
A igreja dos convidados da manjedoura não tem paramentos, nem apelos de fugaz emoção. Basta o silêncio do jumento, da ovelha, da vaca, diante da Presença. Balidos, urros, coices e mordidas da intolerância ficam para o cotidiano das pastagens.
As bíblicas serpentes prudentes jejuam e meditam quietas a despeito da interpretação literal da maldição . Não conhecem a palavra obscurantismo, porque na cadeia alimentar a lei é de causa e efeito , sem espaço para a discriminação.
Observe uma borboleta - a experiência mística da lagarta dispensa incensos, fragrâncias e bálsamos. Do amor em metamorfose nasce a beleza.
O verde existe para ser “kath holikos” sem sectarismos, pois sua vocação é pela universalidade do Todo. Se hoje as figueiras permanecem secas é porque ainda sobrevive a infecundidade espiritual. Agride-se o ambiente pela ignorância daquilo que um dia foi sagrado.
E o sal da Terra nunca será vendido em pentescostais ofertas, pois quando sai do mar da fraternidade, deixa de ser alimento, torna-se insípido.
Hoje, queimaram mais três parques nacionais, bruxas heréticas do século vinte e um. A flora erótica teve que abdicar da sua sensualidade declarando não existir mais a fotossíntese.
Queres ouvir o Cântico dos Cânticos ? Abre a tua janela , teus ouvidos e o coração. Ele acontece toda manhã, quando a passarada anuncia o alvorecer.
Vede os pombos, os morcegos e os pardais. Todos habitam igualmente, sinagogas, igrejas, santuários, casas de oração, mesquitas sobrevoando dogmas e preconceitos.
Olhando somente as uvas? Visando oferecer o melhor vinho a todos? Os ramos da videira serão sempre de um mesmo tronco.
Ofertando o pão da boa nova?
Se todos nos consideramos trigos por que enxergamos somente o joio?
Um só pastor , um só rebanho, na diversidade da vida, a unicidade do Criador .
Um mesmo sol, uma mesma lua...
A natureza é ecumênica.
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